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Temas Jurídicos em Debates

As Regras da Vida

Luiza Ricotta

A vida moderna com suas exigências cada vez maiores tem feito com que as pessoas busquem o sucesso em menor tempo possível. Anseiam, portanto, por "fórmulas que funcionam" pois já foram percorridas, testadas e estudadas.

"Atalhos" que encurtam os caminhos de quem se propõe a um resultado otimista na ampliação de seus talentos. São pessoas que escolhem alcançar um patamar diferenciado, estabelecendo metas para o que projetam para suas vidas, seja em que área for: amorosa, profissional, familiar, física, estética; enfim, para o que almejam. Algumas se ocupam de uma vida restrita em função dos próprios limites que estabelecem. Desconhecem o seu potencial e somente serão despertadas quando se perceberem deslocadas e pouco integradas a um grupo do qual gostariam de pertencer. E sendo assim, somente a constatação do que lhe falta lhe aguçará a vontade de desafiar-se.

Sabemos que as oportunidades não são as mesmas para todos, e da necessidade de esforço, empenho e dedicação constantes até o estágio em que possam colher os frutos de seu investimento pessoal, pois cada um vivencia um trajeto particular de vida em função da sua altura de vôo, do seu próprio alcance.

Os temorosos matam o próprio desejo, destituindo-se de vontade, impedindo a própria evolução e crescimento. Desta forma, mantém-se como são, garantindo a preservação "de que nada será modificado". Trabalham na verdade em função de manter o que está posto, afinal, modificar-se, crescer, evoluir, dá trabalho e também exige esforços. A insegurança promove a dúvida de tudo o que seria capaz, delimitando, portanto, uma estatura inferior. Ora, todos sentimos insegurança, o ponto em questão é a superação da própria dúvida e não o contrário.

Curiosa a existência destas pessoas inseguras com o que possivelmente se tornariam, caso percorressem o trajeto que as levaria ao sucesso. Não é raro também encontrarmos aquelas que não sabem o que fazer quando chegam a um nível melhor do que antes ocupavam. Algumas em que "o sucesso lhes sobe a cabeça" tornam-se prepotentes, a outras que "não seguram a onda" caem abruptamente, perdendo tudo o que conseguiram. Na queda creditam simplesmente à falta de sorte, ao invés da estranheza existente com relação ao novo patamar.

Pela falta de preparo pessoal, desorganizam-se pela falta de assimilar a nova posição. Há pessoas que revelam um certo despreparo em viver melhor e desfrutar de uma condição pessoal e profissional de qualidade. É o caso de pessoas que não conseguem assimilar a sua evolução retornando, portanto, ao estágio anterior, retrocedendo por não estarem acostumadas ao sucesso exatamente por personificarem uma marca pessoal diminuta, a de serem vítimas na vida. Afinal, como justificariam as suas freqüentes queixas?

Podemos então refletir a respeito do que está em jogo na determinação desse sucesso. Se o desempenho e o resultado estão associados ao modo como se percorreu as etapas do caminho, corremos o risco de nos tornarmos simplistas diante do que nos garante a realização plena de nossos objetivos. Cumprir tão somente regras e instruções não nos torna eficazes, é preciso bem mais que administrar procedimentos. Acrescente a tais fórmulas de sucesso a força pessoal e o aprendizado decorrente de cada situação vivida, que nos torna sabedores e conscientes desta nova proporção adquirida, dando-nos fôlego para o passo seguinte. O acréscimo, a elevação e alargamento de sua percepção e de suas novas atitudes lhe direcionarão, de modo a estar totalmente ajustado ao seu novo estado. A evolução passa a ocorrer em níveis.

É este aspecto da vivência pessoal, é que tornam as pessoas sábias, interessantes e não tão somente cumpridoras de regras, pois seus aprendizados são intransferíveis. O sucesso, portanto, estaria associado com a definição de um estilo pessoal e pelo modo como se gratificam na vida, tornando-o mais expressivo quando reconhecido pelas pessoas e quando tais benefícios possam ser partilhados com elas.

(*) Luiza Ricotta é psicóloga e escritora. Mestre pelo Mackenzie/SP. Pós graduada em Terapia Familiar PUC-SP e em Psicodrama FEBRAP. Psicóloga do Curso FMB de Carreira Jurídica. (luizaricotta@ajato.com.br)

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